Retrigger lança trabalho com 8 novas músicas

Retrigger lança trabalho com 8 novas músicas. O fim do mundo é o nome da mulher que eu amo já está circulando nas plataformas digitais.

Retrigger

 

Retrigger (ou Raul Retrigger, stage names de Raul Costa) é um dos projetos mais interessantes no cenário nacional. É música eletrônica mas que não se parece com música eletrônica, já que ao contrário da regra geral do estilo – que vem há alguns anos (talvez décadas) privilegiando ambientações ao invés dos ritmos – seu som é abrasivo, não é fluído, tem BPM alto, batidas quebradas e samples inusitados. É um contraponto bem vindo à vertentes como ambient music, retrowave e synthwave (nada contra, eu por exemplo, amo essas vertentes).
Permanecendo fiel ao estilo que desenvolveu em sua carreira, neste trabalho Retrigger atinge a maturidade afinal, são 18 anos fazendo o mesmo som, sem muitas concessões.

retrigger

E esses 18 anos chegaram com um novo trabalho: O fim do mundo é o nome da mulher que eu amo, já está circulando nas plataformas digitais. A pegada punk meio caótica de trabalhos anteriores está um pouco mais organizada, mas só um pouco, o que nos faz viajar para 2010/2011, época da coletânea ao vivo 10 Anos Tocando Para Amigos, em que as apresentações eram literalmente incendiárias, pois além do joystick, do teremim e dos incontáveis fios e cabos embaraçados, tinha muito fogo rolando em espaços de 9 ou 10m2, sempre lotados.

Se nesses trabalhos anteriores o breakcore do projeto soava como uma mistura de surf music com drum and bass, aqui temos algo levemente mais ameno, remetendo em alguns momentos ao rock alternativo de bandas como Black Keys ou QOTSA, sobretudo nas faixas onde Raul faz vocais, como a faixa título e Uma menina e um braço de mar.
O cover de Ain’t That Lovin’ You de Jimmy Reed, com os vocais fantásticos de Stephanie Tollendal, (o momento Brand New Cadillac do álbum) é a melhor e reforçou minha opinião que Retrigger também poderia fazer bem à música eletrônica brasileira como produtor/remixer, tipo um Alok (só que sem ser bunda mole).
A mistura de samples de áudios de TV toscos, com teremim, está representada em O Satã apareceu e tem até um “momento Aphex Twin”, com a faixa Calafia.

Com este trabalho, Retrigger prova que mesmo diante das dificuldades de artistas completamente independentes (o que sempre resulta em experimentações mais palatáveis), dá para seguir produzindo coisas legais sendo fiel à verdade do seu som, sem muitas concessões às vertentes mais comerciais. Prova disso é que o viés performático de Raul em seus shows está neste trabalho, mesclando algo tão avant-garde como o Ableton controlado por um Joystick e tão oldschool como um teremim, o que se não é inédito é no mínimo raro, pois é bem difícil de operar.

Aspecto interessante é que além de difícil tecnologicamente, manter todo esse mix tecnológico e de referências diversas é complicado, requer uma engenharia quase de IDM. Mas Raul faz tudo parecer muito fácil e divertido e isso reflete no acabamento do álbum, já que ele não pesa a mão na produção e economiza na masterização sem cair na tentação de jogar um monte de filtros, reverberações e ambientações, priorizando um som mais cru, mais próximo do rock ao vivo por exemplo.
Usando uma sinestesia barata: se as produções mais pop são como açúcar refinado, Retrigger é como mascar a cana-de-açúcar, e é assim há 18 fucking anos. Se o projeto Retrigger fosse afeito à concessões, até poderia ser mais conhecido, mas (ainda na sinestesia barata) certamente seria menos saboroso.


Serviço – Links:


Serviço – Ficha técnica:

Título: Retrigger: O fim do mundo é o nome da mulher que eu amo.
País: Brasil/Polônia
Tempo total: 00:29:41
Produção e masterização: Raul Costa Duarte
Composição: Raul Costa Duarte (Exceto faixa 7, por: Jimmy Reed)
Hassan K. – Guitarra na faixa 1.
Stephanie Tollendal  – Vocais em: Ain’t That Lovin’ You.
Gravadora: Istotne Nagr (Polônia)
Estilos: Electronic, Breakcore, Surf Music, Rockabilly, Psicodelia.
Capa e arte: Iwona Jarosz / Yes In Progress
Fotos: Isadora Luchtenberg
Maquiagem: Ana Pieroni


Serviço – Sobre Retrigger:

Na ativa desde 2001, Retrigger, também conhecido como Raul Costa Duarte, é um músico eletrônico brasileiro muito influenciado pela psicodelia, pela surf music e pelo rockabilly, que injeta diretamente em suas produções com ruídos e batidas pesadas. Essas composições também misturam o som 8-bit e a estética maximalista do breakcore. Embale tudo isso com retrofuturismo (theremin!), videogames e um tanto de humor, e dá para ter uma ideia do que Raul está fazendo. Sem mencionar suas performances ao vivo, literalmente incendiárias, que ele vem fazendo seminu há anos ao redor do mundo.


Diego Mesa Marquez é sonoplasta, radialista e técnico de som e programação pelo Senac-SP. Técnico em Eletrônica digital e programação pelo Cruzeiro do Sul. Publicitário Técnico e Designer pelo Objetivo e graduado em Gestão de Comunicação pela Fatec-SP. Atualmente, é coordenador técnico da Rádio Sens, mas tenta dar pitacos sobre áudio, comunicação e semiótica na internet desde 1998.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *